Constituição de 1988 · Art. 80º

Quem assume se o Presidente e o Vice saírem? Entenda o Artigo 80

Publicado em 08/10/2026 · Equipe CF88

O Artigo 80 da Constituição Federal estabelece a linha de sucessão para o comando do Poder Executivo. Caso o Presidente e o Vice-Presidente fiquem impedidos de exercer suas funções ou os cargos fiquem vagos, o comando do país passa sucessivamente ao Presidente da Câmara dos Deputados, ao Presidente do Senado Federal e, por último, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal.

A continuidade administrativa é um princípio fundamental do Estado brasileiro. Para garantir que o país nunca fique sem um chefe de governo e de Estado, a Constituição Federal de 1988 previu mecanismos automáticos de substituição. O Artigo 80 não trata apenas de tragédias ou crises políticas, mas também de situações rotineiras, como viagens oficiais ao exterior, garantindo que a cadeira da Presidência da República esteja sempre ocupada por uma autoridade legitimada.

O que o Artigo 80 diz exatamente?

O texto do Artigo 80 determina que, em situações onde o Presidente e o Vice-Presidente da República não possam exercer o cargo (o que o Direito chama de impedimento) ou se ambos deixarem os cargos permanentemente (vacância), a linha de sucessão deve ser seguida rigorosamente.

O dispositivo parafraseado indica que serão chamados para o exercício da Presidência, nesta ordem:

  1. O Presidente da Câmara dos Deputados;
  2. O Presidente do Senado Federal;
  3. O Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

É importante notar que esses substitutos não se tornam “Presidentes da República” de forma definitiva; eles apenas exercem a Presidência enquanto durar a ausência ou até que novas eleições sejam realizadas, conforme o caso.

Qual a diferença entre impedimento e vacância?

Para entender o Artigo 80, é essencial distinguir dois cenários previstos no texto constitucional:

  • Impedimento: É uma situação temporária. Ocorre quando o Presidente e o Vice estão impossibilitados de governar por motivos passageiros, como uma viagem internacional, uma cirurgia programada ou um afastamento temporário determinado pela justiça. Nesses casos, o sucessor assume apenas como um “interino” até o retorno dos titulares.
  • Vacância: É a situação em que o cargo fica vazio definitivamente. Isso acontece em casos de morte, renúncia ou cassação do mandato (impeachment) de ambos (Presidente e Vice). Se isso ocorrer, o sucessor da linha do Artigo 80 assume temporariamente e deve convocar novas eleições, conforme as regras do Artigo 81 da Constituição.

Por que essa ordem específica foi escolhida?

A ordem reflete a importância das instituições no regime democrático. Primeiro, recorre-se aos representantes diretos do povo (Câmara) e dos Estados (Senado). Caso o Legislativo também não possa assumir, recorre-se ao chefe do Poder Judiciário (STF), assegurando que o equilíbrio entre os Poderes seja mantido mesmo em momentos de crise.

PosiçãoAutoridadePoder
1º SucessorPresidente da Câmara dos DeputadosLegislativo (Povo)
2º SucessorPresidente do Senado FederalLegislativo (Estados)
3º SucessorPresidente do Supremo Tribunal FederalJudiciário

Exemplos práticos do cotidiano

No dia a dia, a aplicação do Artigo 80 é mais comum do que se imagina. Quando o Presidente da República viaja para uma cúpula internacional (como o G20) e o Vice-Presidente também está em missão oficial fora do país, o Presidente da Câmara assume o comando do país por alguns dias.

Um exemplo histórico marcante ocorreu em 1992, após o impeachment de Fernando Collor e a ascensão de Itamar Franco. Se Itamar precisasse se ausentar, o Presidente da Câmara da época seria o próximo na linha. Mais recentemente, em diversas ocasiões de viagens internacionais simultâneas dos chefes do Executivo, presidentes da Câmara e do Senado assinaram decretos e atos administrativos como Presidentes em exercício.

Jurisprudência Célebre: Réus na linha de sucessão

Um dos julgamentos mais importantes relacionados a este artigo é a ADPF 402, julgada pelo Supremo Tribunal Federal em 2016. O STF decidiu que pessoas que sejam rés em ações penais perante a Suprema Corte podem ocupar as presidências da Câmara ou do Senado, mas estão impedidas de substituir o Presidente da República na linha de sucessão prevista no Artigo 80.

Na prática, se o Presidente da Câmara for réu em um processo criminal no STF, ele continua no cargo de deputado e presidente da Casa, mas, se o Presidente e o Vice-Presidente da República viajarem, ele será pulado na linha sucessória, passando a vez diretamente para o Presidente do Senado (desde que este não seja réu também).

Alterações e Emendas

O texto original do Artigo 80 da Constituição Federal de 1988 permanece o mesmo desde a sua promulgação. Não houve Emendas Constitucionais que alterassem a ordem da linha de sucessão ou os termos de impedimento e vacância descritos neste dispositivo específico. O rigor do texto visa manter a estabilidade institucional do país.


Este conteúdo tem caráter educacional e não substitui a consulta direta ao texto constitucional ou o aconselhamento jurídico profissional.

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Perguntas frequentes

O Presidente do STF pode ser Presidente da República definitivamente?

Não. Segundo o Artigo 80, o Presidente do STF (assim como os Presidentes da Câmara e do Senado) assume o cargo apenas temporariamente em caso de impedimento ou vacância. Sua função é garantir a continuidade do governo até que os titulares retornem ou que novas eleições sejam realizadas.

O que acontece se o Presidente da Câmara for réu no STF?

Conforme decidido pelo STF na ADPF 402, ele pode continuar na presidência da Câmara, mas fica impossibilitado de assumir a Presidência da República na linha de sucessão. Nesse caso, a função passa temporariamente para o próximo da lista (Presidente do Senado).

Fontes e referências

  1. Constituição da República Federativa do Brasil (Art. 80)
  2. STF - Informativo de Jurisprudência (ADPF 402)

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